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O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

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O Esférico

21
Fev20

Pitéu Turco // Sporting 3 Basaksehir 1

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Poucas vezes me deu tanto prazer ver o Sporting esta época como no jogo de ontem. Pelo menos até aos 60', altura em que a equipa antecipou o fecho da loja, encerrou a caixa, recolheu os toldos e reuniu o staff para uma cavaqueira amena à volta da grande área de Max, deixando a concorrência facturar impunemente no lote vizinho e arrebanhar por instantes os dividendos que tinham até então pertencido exclusivamente aos leões.

O jogo em Vila do Conde — artefacto museológico hoje exibido na ala dos grandes desastres exibicionais, uma prateleira abaixo dos maiores 'hits' de Vercauteren — tinha deixado adivinhar o que aí vinha. A substituição do infrutífero Camacho por Jovane, o desmantelamento daquele enterro em forma de dupla Doumbia-Eduardo, a fuga definitiva ao cadafalso dos três centrais, táctica-trapezista que apenas tem rendido ao Sporting más aterragens.

Aproveitar a intensidade carnívora de Battaglia para sacudir a poeira e devolver Wendel (apagado, apesar de tudo) às funções de ligação intermédia, soltando Vietto atrás do ponta-de-lança, restitui ao nosso futebol pergaminhos ofensivos mais consentâneos não só com o ADN histórico do clube, mas também com as características do plantel — e os resultados foram notórios. Para isso contribuiu a presença simultânea em campo dos que são efectivamente os nossos melhores jogadores — exceptuando Mathieu — e a confiante mobilidade de Jovane (para mim o melhor em campo), cuja omnipresença no último terço permitiu também a Sporar focar-se em funções exclusivas da sua posição. O esloveno já marca, e isso é bom para consolidar o seu estatuto. Mas nem por isso a equipa escapou à calamidade da fraca eficácia, resultante de alguma falta de esclarecimento na definição do último passe/remate, esbanjamento que teve em Vietto e Sporar os seus rostos mais visíveis, não obstante os bonitos golos que ambos assinaram.

Conseguimos meter as hordas otomanas em retirada. Porém, o golo tardio de Visca — num pénalti forçado, mas também consentido pelo Sporting — garantiu ao Basaksehir o seu 'momento Dunquerque' — a esperança de terem dado um passo atrás mas ainda poderem dar dois em frente.

Foi esta displicência final do Sporting que reavivou uma eliminatória que podia ter ficado fechada ontem, tal foi a supremacia leonina. E, assim, quem se lembrar de nomes como o Rapid Viena, Casino Salzburg, Dínamo Bucareste, Grasshopper, Viking, Gençlerbirligi ou Halmstads, saberá que, na conjuntura actual do clube, um, dois, ou até três golos de vantagem podem significar pouco — e épocas como as de 90/91, 04/05 ou 11/12 têm sido estrelas raras no firmamento europeu. O Sporting ainda vai bem a tempo de ser eliminado. Pois não duvido que o Basaksehir, 2º classificado da liga turca, irá revelar a sua melhor face em casa. Para evitá-lo teremos que, no mínimo, mostrar a ambição que ontem evidenciámos durante uma hora e não retrocedermos para as folias tácticas em que o sr. Silas tem sido pródigo.

29
Nov19

O Melhor Sporting da Época // Sporting 4 PSV 0

O Esférico

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Diz muito sobre a época em curso o facto de apenas à entrada da quadra natalícia termos tido direito a ser brindados com uma exibição de gala, com o cheirinho repimpado de alta cultura e salões nobres. Vintage Sporting. E Silas a encontrar o seu ritmo. Primeiro, com uma abordagem idealizada ao jogo, desmantelando ao pontapé as dúvidas que se haviam instalado devido à longa paragem. Segundo, impondo um sistema equilibrado e condizente com a geografia actual do plantel. Não faz mais sentido jogar com Luiz Phellype ao centro, com dois jogadores móveis gravitando à sua volta nas proximidades? Afinal, é o que há: um ponta-de-lança e um superavit de extremos.

A verdade é que, em vantagem logo aos 9', não teve a letargia competitiva tempo de cobrar a factura, mercê da entrada, fulgurante de uns, e dormente de outros. Quando o PSV quis despertar desta modorra, já era uma equipa nervosa e sôfrega, enleada nos arames intrincados do seu futebol ofensivo, ao qual os arranques monocórdicos de Tué Na Bangna Bruma apenas ofereciam mais exasperação a uma equipa necessitada de lucidez. À criminosa eficácia do Sporting contrastou sempre a indecisão trôpega dos holandeses, superiormente negados nas suas malfeitorias pelo sistema anti-mísseis que Mathieu leva com ele para onde quer que se desloque no relvado.

Uma dessas ocasiões — quando Tué Na Bangna viu ser-lhe negado um golo certo — foi além do mero suspiro de alívio, materializando, 'in loco', o nascimento dum guarda-redes. Brilhante o nosso nº 1 na forma como saiu aos pés do prevaricador, indicando que por trás de um patrício pode estar um Maximiano.

O que de mais animador tem a prestação dum treinador é a forma como rentabiliza os seus atletas. São notórias as melhorias de jogadores como Doumbia, Camacho ou Vietto, assim como a recuperação de Bolasie, alguém que, nas circunstâncias certas, seria uma aquisição valiosa para o clube. E mesmo Rosier, amparado pelos seus colegas, chega a parecer um tipo razoável, com futuro no Gil Vicente. Não foi um jogo perfeito, no sentido em que não corresponde à matriz leonina termos sempre menos posse do que os adversários. Mas, para o bem e para o mal, isto é o que veremos com Silas. Um certo pragmatismo felino, enrolado numa mantinha de rigor defensivo, sempre de olho na iguaria no rebordo da mesa. Se Silas conseguir guardar as lições deste jogo poderá ter encontrado um nicho. Se não, voltaremos à estaca zero num ápice.

Acuña só faz aquele slalom inovador porque alguém lhe disse que o seu instrumento de tortura favorito estava em saldos na Black Friday. Mas a minha última palavra será obrigatoriamente para o nosso capitão. Tudo o que Fernandes faz dentro de campo é apenas traduzível nas palavras "jogador de equipa grande". Qualquer outra interpretação do estilo, da consequência, é uma perversão da palavra orada. Qualquer destino que não seja o Bernabéu, o Etihad Stadium ou a Allianz Arena é uma violência contra um jogador que iça, por si só, todos os seus colegas para níveis de execução sinfónicos. Para Fernandes, correr não é sacrifício, é libertação. O risco é um acto revolucionário, num mundo cada vez mais sujeito ao primado da banalidade. Um exemplo? No primeiro golo, podia muito bem ter parado aquela bola, subjugando-a sob o pé e protegendo-a à espera de um apoio que nunca chegaria, fazendo as agulhas subirem 5 graus na Escala do Bocejo e matando a jogada — como 99% dos jogadores, decerto, fariam. Não o fez, chamando a si uma inspiração que passou por todos os jogadores holandeses sem que nenhum deles se tivesse apercebido dela, e executando-a com um toque de habilidade que inaugura novas teorias sobre os limites do corpo humano. Com essa decisão instantânea, Fernandes não só encontrou um finalizador ávido em Luiz Phellype, como também terá mudado o curso do jogo. As pessoas apercebem-se do impacto de tal genialidade nestes pormenores? O que seria o Sporting sem isto?

P.S.: como Hitler afundado num bunker de demência nos últimos dias do Reich, assim vão as nossas "claques": paranóicas, bárbaras e suicidas. Numa noite em que o foco uníssono dos adeptos foi tão aprazível como a partida em si, optaram por fazer política no momento mais descabido de todos.

07
Nov19

Rosenborg 0 Sporting 2

O Esférico

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Visto que amanhã não me será possível escrever o habitual artigo, deixo aqui uns comentários muito breves ao jogo.

— Foi o desempenho mais consistente da era Silas. Pragmático o treinador na forma como neutralizou o jogo directo dos noruegueses, reforçando o miolo, o eixo da defesa, e secando as zonas de onde poderiam partir os passes. O Rosenborg não criou um único lance de perigo pelo ar.

— Consistente ou não, o Sporting continua a viver de ofertas e erros do adversário, como o provam os golos de hoje, marcados por um centrocampista e um central. Não há uma verdadeira linha atacante na equipa. Muito curto para quem almeja ganhar títulos.

— O abrandamento na 2ª parte foi um risco calculado face à vantagem, às limitações do Rosenborg e ao próximo jogo já no Domingo. Aposta ganha, para variar.

— Eduardo: o melhor que se pode dizer do seu futebol é que os seus passes a queimar, ao menos, acertam nos colegas. Isto quando não está meramente a desmarcar os apanha-bolas. Também ao betão dos diques não pedimos que seja dinâmico ou cite Platão. Eduardo é um pedregulho que ali se mete.

— Rosier: no sentido em que não comprometeu, o francês atingiu o seu plafond exibicional ao serviço do Sporting.

— Doumbia: é bom vê-lo a elevar-se um bocadinho acima da banalidade que o tem caracterizado, desempenho facilitado pelo presença de outro médio defensivo ao seu lado. Resta saber se é capaz de reproduzir isto a solo, como William Carvalho. Não me parece.

— Vietto reforçou a trajectória ascendente da sua afirmação. Bruno Fernandes não sabe jogar mal: só bem ou muito bem. Após um período periclitante, Coates responde com força mental e volta a mostrar porque é um dos melhores centrais que por cá passou nos últimos 15 anos. Renan é aquela tela esbatida que os nossos avós tiveram a decorar a marquise a vida toda e que anos depois vimos a descobrir que se trata dum Renoir avaliado em milhões.

— Borja: notou-se a falta de concentração competitiva para este nível. Quase sempre displicente em actos basilares do futebol, como são o toque de bola, o passe ou o mero levantar da cabeça.

— Pela seriedade inaudita com que a equipa encarou este jogo, dá para perceber que já interiorizaram que na Liga Europa é que está a salvação da época. Assim, o apuramento para os 1/16 final ganha força.

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