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O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

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O Esférico

11
Nov19

O Sporting Foi Belém Enquanto Quis // Sporting 2 Belenenses 0

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Quando o cronómetro bateu os 35' de jogo já Eduardo tinha passado sete bolas ao adversário, as bancadas engalfinhavam-se umas contra as outras num despique de insultos, o jogo violara múltiplas cláusulas humanitárias da Convenção de Genebra, e uma árida brisa fluvial deixava os caracóis de Zé Pedro ainda mais desamparados no banco, ao lado do qual um atónito Silas se afundava cada vez mais no seu blusão polar.

Para quem sempre se identificou como Sportinguista, a confusão deve ter parecido palpável. O ingresso anunciara um Sporting-Belenenses, mas a verificação prática dos factos indiciava mais um despique entre dois Belenenses da mesma moeda, só faltando ao visitado uns retoques no símbolo e o exílio para pátrias alheias para completar a metamorfose de colosso dos relvados para tuna de enfermagem do São Francisco Xavier. Tanto mais que alguns dos jogadores que desfilaram em campo de verde-e-branco pareciam ter lá sido postos por intermediários do Benfica, com o único intuito de praticarem pontapés na atmosfera até à recepção aos encarnados.

Silas só se terá apercebido do equívoco quando olhou para o lado e em vez de ver o Chaby a jogar Angry Birds no telemóvel deparou-se com um Paulinho visivelmente agitado pela falta de jeito do Rosier. Eventualmente, alguém tê-lo-á avisado de que não existe no mundo uma única equipa grande que jogue com três centrais contra um adversário do fundo da tabela. Assim, a prova de que a sua abordagem ao jogo foi um desastre foi, precisamente, a forma como tudo alterou ainda antes do intervalo. Arriscou ao retirar Neto em vez de Ilori, mas terá calculado que a solidez de Coates (mais uma grande noite) ficaria melhor complementada com a rapidez do formando leonino, ao mesmo tempo que Camacho trouxe para o jogo um frenesim de iniciativas (nem sempre lúcidas) perante o olhar atónito de Jesé. Também a entrada de Doumbia ao intervalo pareceu confirmar as ligeiras melhorias do costa-marfinense constatadas na partida anterior. Melhor quando tem companhia ao lado, parece mais solto e disponível para o jogo, e isso mesmo comprovou-se pela forma como conseguiu transportar a bola até à área contrária em duas ou três ocasiões. A entrada oportuna de Luiz Phellype veio apenas dar um rumo a esses agoiros.

Tudo isso gerou uma certa sensação de inconformismo na equipa, desencadeando esparsas escaramuças perto da área azul, ainda que sem grande objectividade no ataque à baliza. Mas, pelo menos, esse despertar teve o condão de focar as bancadas no essencial. E quando aos 75' Vietto puxou do seu arsenal, sem concurso público, o golo da jornada — para gáudio dos olheiros do Cirque du Soleil — já não foi apenas um soluço de total espanto que os adeptos soltaram. Com o marcador aberto e o Belém de calças na mão, o Sporting explanou então o seu melhor futebol da partida, esforço que foi premiado com mais um golo.

No fim, o segredo esteve na solidez defensiva e na inspiração individual. Não é coincidência que o golo tenha sido cozinhado por três dos jogadores mais competentes do onze — Vietto, Bolasie e Fernandes —, com a participação do recém-entrado Phellype, num lance que teve início num passe estratosférico do próprio Vietto, ainda no meio-campo leonino, o qual foi concluir após cavalgada de 70 metros. O facto de nem Rosier, nem Borja, nem Doumbia, terem tocado na bola foi uma daquelas coincidências felizes que não vemos todos os dias.

Isto num jogo que, além dos golos e dos 15 minutos finais, teve pouquíssimo sumo para espremer. Sem surpresa, uma vez mais, o Sporting voltou a ter menos posse do que o adversário. Felizmente, esse aspecto poderá agora ser amplamente trabalhado na pausa tri-semanal do campeonato — mais uma das infelizes inovações em que a FPF é pródiga.

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