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O Esférico

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19
Jun20

Sem Remorsos // Sporting 2 Tondela 0

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Rúben Amorim não está na disposição de pedir desculpas a ninguém. 13 milhões pela sua contratação? Foi porque quiseram. Reabilitar o 3-4-3 das cinzas da história? É o que tiver de ser. Entrar com oito miúdos em campo? Se o desafiarem, ainda mete mas é o Coro Juvenil de São Pedro do Mar a jogar também (não o desafiem).

Com tantas veleidades de ordem radical, era inevitável que os jogadores também lhe começassem a emular o pirete, uma revienga aqui, uma ultrapassagem em traço contínuo ali, uma fuga pelas traseiras além, uma ida sem máscara à área contrária acolá... Vemos este descaramento desportivo — cujo sustento real é uma salutar disciplina táctica —, por exemplo, na incursão nocturna de Plata por território hostil (da qual resultou o 1º golo), na cuequinha que Quaresma inflige ao avançado afoito, ou, súmula da inspiração, no último lance de génio de Jovane na partida, quando, simulando no grande círculo um vago interesse pelo sonambulismo, arranca, subitamente, afogueado por aguda traquinice, executando uma sinfonia vertical que só foi calada com um tiro nos pés. (Este, meus caros, é o tipo de raciocínio artístico que só talentos inatos como De Bruyne ou Bruno Fernandes executam.)

E ninguém tem sido maior depositário da mentalidade Amorim do que o próprio Jovane, um rapaz que a dada altura chegou a ser dado como morto, autopsiado, embalado e etiquetado — resgatado à última da hora, antes de enfeitar as prateleiras do mercado do futebol, por um treinador que sabe que o talento puro, conjugado com intrínseca humildade, deve ser nutrido, não descartado.

Esta perspectiva tem particular interesse numa altura em que o reatar do campeonato tem sido marcado pela timorata rigidez dos rivais, quiçá acorrentados às responsabilidades inatas da maturidade. No Sporting, a despreocupação gerou toda uma nova fé nesta pré-época improvisada. Joga-se hoje, mas a bola rola para o amanhã. E, ungidos com o voto de confiança de que precisavam, a miudagem traz à Liga a audácia que tem escasseado neste primado do medo.

A verdade é só uma. Se o campeonato tivesse começado em Junho, o Sporting estaria à frente de Porto, Benfica e Braga. Porque há entusiasmo pelo novo treinador, porque há espaços a conquistar, porque o percurso que findou em Março parece uma memória distante, e porque de quarentena continuam as tensões internas do universo leonino, mantidas à distância pela cerca sanitária da pandemia.

Mas não começou. No mundo real das paixões de bancada, da competição extrema e do empresariado selvagem, é possível que este 'status quo' caísse por terra. O tempo está suspenso para Amorim poder aferir quem é Jovane e quem é Djaló, quem é Nani e quem é Paim, e assim ordenar as peças do xadrez em conformidade com o que será a austeridade dos próximos tempos. Temos, pelo menos, essa modesta vantagem. Enquanto Benfica e Porto disparam os últimos fulminantes de uma era pomposa, o Sporting já entrou nessa nova era futura — a era da formação. E tenho cá para mim que será este novo leão que decidirá o último dos velhos campeonatos, indo roubar pontos à Luz ou ao Dragão.

Melhor augúrio dos novos tempos não poderia haver.

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