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O Esférico

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12
Jan20

Revista na Tribuna, Dignidade no Campo // V. Setúbal 1 Sporting 3

O Esférico

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Descerrem a cortina, soem as pancadas de Molière. Lá porque Vítor Hugo Valente passou ao lado de uma brilhante carreira no teatro, não quer dizer que tenha desistido de usar saiotes. Um produto anacrónico do decrépito Parque Mayer, o líder sadino não se poupou a esforços na preparação do espectáculo de ontem, juntando ao pedido inédito o efeito cómico de uma auto-proclamada "honorabilidade" — isto vindo dum fulano que não sai à rua sem levar duas lambadas dos credores. Porém, onde La Feria usa a pompa para compensar a vacuidade das suas produções, Vítor dispensa essa mesma pompa e mete as fichas todas numa espécie de apoteose saloia da palhaçada, em que os apanha-bolas mascarados surgem para dar um toque distópico a este clássico da peixeirada. No meio do espectáculo todo, só se esqueceu foi de esclarecer porque razão recusou a oferta do Sporting.

A resposta a essa pergunta está no jogo em si. Longe dos 80% de acamados que alegavam, o número de convocados confirma que tinham jogadores mais que suficientes para ir a jogo. Limitados, certamente, mas bem dentro dos requisitos mínimos exigidos. Legítima a frustração da equipa sadina, mas o livro de reclamações devem pedi-lo, antes de mais, ao seu líder, que, em período de campanha, mostrou-se mais preocupado com a sua reeleição do que com a saúde dos atletas. E serviu-se da grandeza (e fragilidade) do SCP para ampliar a sua mensagem.

Montado o cenário, vendidos os bilhetes, chegou-se então à hora do jogo. Acenderam-se os holofotes, abriu-se a cortina da tribuna, e imediatamente o 1º acto arrancou, com uma salva de labregos abatendo-se sobre as porcas vidraças da mesma para uma prova de espiritismo verbal e bailado contemporâneo no charco. Para o 2º acto Valente brindou os presentes com uma comovente cena de dramatismo conjugal, com dedadas afirmativas e ameaças de retirada dos acepipes da mesa. Houve aplausos, pigarreios, somaram-se votos. No 3º acto, Valente, qual dama despeitada, sentou-se a duas cadeiras de distância de FV, amuado com a insensibilidade do líder leonino. No 4º e último acto tossiu aos microfones os restos duma sarna persistente e cortou relações com o SCP, privando-nos desses preciosíssimos empréstimos que o VFC sempre dispensa. Depois, desapareceu na noite, presumivelmente para levar mais umas lambadas de credores ofendidos. Foi um espectáculo entretido, feito para benefício exclusivo da primeira plateia, onde se sentam os sócios votantes.

Varandas, valha a verdade, dedicou-lhe o mesmo tipo de desprezo que qualquer um de nós dedicaria a um labrego etilizado que se debruçasse do balcão para vociferar contra os órfãos da Casa Pia. O Sporting agiu bem. Não foi inflexível, deixou uma porta entreaberta. Com isso desmascarou o bluff dos sadinos. E o árbitro apitou para o início do jogo, verificada a fiabilidade das redes.

Em relação à partida em si, destaco a extrema dignidade dos seus intervenientes. Antes de mais, dos atletas sadinos. Foram lá para jogar à bola, não para carpir mágoas ou descarregar frustrações. Entre espasmos de vigor e uma certa apatia, chegaram mesmo a assustar, mercê dum delírio febril em forma de golo que deixou o Sporting momentaneamente de quarentena. E o 'forcing' final que protagonizaram deve chegar para afastar qualquer receio de mortes prematuras. Mas também do Sporting, que perante uma situação complexa não entrou em campo para fazer fretes a ninguém. Resolveu quando tinha de resolver, tentou gerir quando tinha de gerir, foi ponderado no meio de tantas emoções, e no meio de tamanha racionalidade só sofreu um golo e perdeu dois jogadores para o derby de sexta — um avanço que eu considero positivo. Entre os melhores leões destaco Bruno Fernandes e Ristovski, com Bolasie também interventivo. Jesé também entrou, mas apenas para nos lembrar que pagar quotas também traz inconvenientes.

P.S.: Espero que FV não esteja a preparar-se para cometer um espantoso acto de autofagia ao vender Bruno Fernandes dias antes dum derby. O negócio pode ser bom, mas qualquer desaire com o rival depressa atiraria isso para segundo plano. Se bem que no Sporting já nada me surpreende.

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