Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

O Esférico

29
Nov19

O Melhor Sporting da Época // Sporting 4 PSV 0

O Esférico

77124320_10156417902111555_936993110427172864_o.jp

Diz muito sobre a época em curso o facto de apenas à entrada da quadra natalícia termos tido direito a ser brindados com uma exibição de gala, com o cheirinho repimpado de alta cultura e salões nobres. Vintage Sporting. E Silas a encontrar o seu ritmo. Primeiro, com uma abordagem idealizada ao jogo, desmantelando ao pontapé as dúvidas que se haviam instalado devido à longa paragem. Segundo, impondo um sistema equilibrado e condizente com a geografia actual do plantel. Não faz mais sentido jogar com Luiz Phellype ao centro, com dois jogadores móveis gravitando à sua volta nas proximidades? Afinal, é o que há: um ponta-de-lança e um superavit de extremos.

A verdade é que, em vantagem logo aos 9', não teve a letargia competitiva tempo de cobrar a factura, mercê da entrada, fulgurante de uns, e dormente de outros. Quando o PSV quis despertar desta modorra, já era uma equipa nervosa e sôfrega, enleada nos arames intrincados do seu futebol ofensivo, ao qual os arranques monocórdicos de Tué Na Bangna Bruma apenas ofereciam mais exasperação a uma equipa necessitada de lucidez. À criminosa eficácia do Sporting contrastou sempre a indecisão trôpega dos holandeses, superiormente negados nas suas malfeitorias pelo sistema anti-mísseis que Mathieu leva com ele para onde quer que se desloque no relvado.

Uma dessas ocasiões — quando Tué Na Bangna viu ser-lhe negado um golo certo — foi além do mero suspiro de alívio, materializando, 'in loco', o nascimento dum guarda-redes. Brilhante o nosso nº 1 na forma como saiu aos pés do prevaricador, indicando que por trás de um patrício pode estar um Maximiano.

O que de mais animador tem a prestação dum treinador é a forma como rentabiliza os seus atletas. São notórias as melhorias de jogadores como Doumbia, Camacho ou Vietto, assim como a recuperação de Bolasie, alguém que, nas circunstâncias certas, seria uma aquisição valiosa para o clube. E mesmo Rosier, amparado pelos seus colegas, chega a parecer um tipo razoável, com futuro no Gil Vicente. Não foi um jogo perfeito, no sentido em que não corresponde à matriz leonina termos sempre menos posse do que os adversários. Mas, para o bem e para o mal, isto é o que veremos com Silas. Um certo pragmatismo felino, enrolado numa mantinha de rigor defensivo, sempre de olho na iguaria no rebordo da mesa. Se Silas conseguir guardar as lições deste jogo poderá ter encontrado um nicho. Se não, voltaremos à estaca zero num ápice.

Acuña só faz aquele slalom inovador porque alguém lhe disse que o seu instrumento de tortura favorito estava em saldos na Black Friday. Mas a minha última palavra será obrigatoriamente para o nosso capitão. Tudo o que Fernandes faz dentro de campo é apenas traduzível nas palavras "jogador de equipa grande". Qualquer outra interpretação do estilo, da consequência, é uma perversão da palavra orada. Qualquer destino que não seja o Bernabéu, o Etihad Stadium ou a Allianz Arena é uma violência contra um jogador que iça, por si só, todos os seus colegas para níveis de execução sinfónicos. Para Fernandes, correr não é sacrifício, é libertação. O risco é um acto revolucionário, num mundo cada vez mais sujeito ao primado da banalidade. Um exemplo? No primeiro golo, podia muito bem ter parado aquela bola, subjugando-a sob o pé e protegendo-a à espera de um apoio que nunca chegaria, fazendo as agulhas subirem 5 graus na Escala do Bocejo e matando a jogada — como 99% dos jogadores, decerto, fariam. Não o fez, chamando a si uma inspiração que passou por todos os jogadores holandeses sem que nenhum deles se tivesse apercebido dela, e executando-a com um toque de habilidade que inaugura novas teorias sobre os limites do corpo humano. Com essa decisão instantânea, Fernandes não só encontrou um finalizador ávido em Luiz Phellype, como também terá mudado o curso do jogo. As pessoas apercebem-se do impacto de tal genialidade nestes pormenores? O que seria o Sporting sem isto?

P.S.: como Hitler afundado num bunker de demência nos últimos dias do Reich, assim vão as nossas "claques": paranóicas, bárbaras e suicidas. Numa noite em que o foco uníssono dos adeptos foi tão aprazível como a partida em si, optaram por fazer política no momento mais descabido de todos.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D