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O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

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O Esférico

02
Dez19

Estaca Zero // Gil Vicente 3 Sporting 1

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Falemos primeiro de coisas boas — apesar de o trabalho recente de Silas ter sido demolido em 90'. Falemos de coisas boas — apesar do espectáculo confrangedor de ver nos nossos criativos artes de escriturário numa corrida de galgos. Falemos então de coisas boas. A 1ª parte? Razoável. Com posse, circulação, ideia de jogo, reacção ao golo, controlo emocional. O sistema? Sensata a sua manutenção, assim como a (quase) replicação do onze, apostando-se tudo no cavalgar da onda europeia. Eu teria feito o mesmo. Indicadores positivos que o golo do Gil Vicente, ao nascer dum inusitado erro individual, não de falência colectiva, pareceu confirmar, em vez de desmentir.

Mas uma ideia não chegou para a filosofia do Gil. O Sporting há muito que deixou de impor regras. Anda a reboque dos rivais, não o contrário. A equipa, tal como os adeptos, vive pendurada do próximo jogo, do próximo resultado. Não há visão estratégica das coisas. Foi Vítor Oliveira quem melhor o disse: faltam jogadores de qualidade ao Sporting. E aí jaz o busílis da questão.

De todas as alterações que podiam ter sido feitas, lamenta-se profundamente que a escolha tenha recaído na inclusão de Jesé, um daqueles fulanos a quem apenas por caridade permitimos que repita ao jantar histórias antigas dos seus tempos de engatatão. As histórias são sempre as mesmas, porque algures no caminho perdeu-se, ébrio com o falso elixir da juventude, e baralhou-se nas contas do tempo. Quando acorda já tem 26 anos. Ainda ontem era um menino. À semelhança do seu futebol, aliás: vira para aqui, vira para ali, foge para a linha, volta para trás e perde a bola. Nunca, em momento algum, o vemos tomar qualquer decisão crítica, porque nunca, em momento algum, percebe o sentido do jogo. Jesé é hoje a imagem perfeita do plantel leonino: está de malas feitas, fala um dialecto estranho e vive de esperanças emprestadas. Estes "reforços" não farão todos juntos metade dos golos que Bas Dost, ao pé coxinho, fez na época passada (23). Pim!

Assim, numa equipa que só se pode dar ao luxo de ter um Vietto no onze, ontem teve dois. Defensivamente, Jesé, como o argentino, vale zero. Tê-los (mais Wendel) simultaneamente na equipa é abrir uma via rápida de passes para as costas da nossa defesa. Bem pode Fernandes correr atrás da bola e esbracejar para os colegas. Enquanto ele faz três viagens ao pote, os outros ainda estão a dividir a factura do almoço. Frente a um G. Vicente invicto em casa (e carrasco do Porto), ir a jogo com esta parelha é o mesmo que aparecer num convívio de caçadores com uma garrafa de rosé: há risadas, calduços, e no fim o Vítor Oliveira esfola a lebre.

Numa 2ª parte que apresentou todas as características dum pesadelo suado, nem as alterações de Silas surtiram efeito. Pelo contrário. Quanto mais mexidas, mais atolado ficou o nosso futebol. Em desespero, saltou para campo Eduardo, uma última cartada apenas comparável ao atirar de água sobre óleo a ferver. Mas resume na perfeição a situação em que estamos. Demos as voltas que dermos, neste elenco não há combinação que resulte em absolvição. É um Totoloto onde a chave suplementar é sempre um número fora do baralho. E irá piorar. Porquê? Porque o problema é tão psíquico como qualitativo. Qualitativo, porque deliberadamente se escaqueirou uma equipa competitiva, com requintes de amadorismo à mistura. Psíquico, porque vender sonhos de campeão a um plantel que mal chega para a Intertoto é sinónimo de depressão a longo-prazo. Hoje são 13 pontos, mas provavelmente serão muitos mais no fim. Obrigam os jogadores a olhar para cima, quando deviam era olhar para dentro.

Lamento apenas que por tão pouco os adeptos percam a clarividência. Os erros, esses, nunca desapareceram. Uma vitória é um penso na ferida. Mas por baixo a gangrena alastra. Não me desvio um milímetro da avaliação que fiz. Tudo é periclitante neste Sporting — e um par de desaires deita a casa abaixo. Clarificação, precisa-se. Responsabilização. E seria importante que os sócios trocassem a alucinação imediatista pela visão geral do futebol. Mas não o farão. E o despertar, como sempre, não será feito com o doce chilrear dos passarinhos, mas sim com o violento detonar duma bomba. Por isso mesmo digo que o Sporting não tem cultura interna para estar no topo do futebol nacional, e muito menos no topo do futebol europeu. Nem hoje, nem nos próximos tempos.

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