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O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

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O Esférico

01
Out19

Do Céu Caiu um Penalty // Aves 0 Sporting 1

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Quem esperava um renascimento qualitativo do Sporting na partida de ontem terá de esperar mais uns tempos. A prova de que o nosso futebol se escreve hoje por linhas tortas é que podemos dar por nós a ignorar o jogo, pegar no carro, ir amparar a esposa em trabalho de parto, e voltarmos à partida na certeza de que não perdemos nada de especial — rigorosamente nada. Mas, em relação a isso, pouco Silas poderia fazer no espaço de quatro dias. É certo que o novo treinador também teve a sua quota parte de tiros ao lado ontem, como foram as apostas em Jesé, Eduardo e Borja. E se Eduardo ainda ornou a sua insonsa mediania com um par de remates perigosos, Jesé fez precisamente o contrário, promovendo um recital de hipotéticos passinhos de dança num contexto de total aversão à bola, potencialmente letais numa boite nocturna, mas infelizmente inúteis num jogo de futebol. Até agora, todos os esforços para encontrar Jesé, que anda há largos anos desaparecido, revelaram-se infrutíferos, não obstante a Interpol estar metida ao barulho. E quem se atrever a dizer que o avistou ontem, à hora de jantar, num relvado em Vila das Aves, está certamente a fiar-se numa perigosa dose de optimismo.

O contraste, neste navio dos emprestados, veio com Bolasie, um rapaz cuja abnegação — nem sempre efectiva, mas certamente valiosa — ontem nos valeu o triunfo. Foi um penalty literalmente caído do céu, numa altura em que o futebol do Sporting assemelhava-se a uma âncora presa ao fundo dum mar de banalidades. O dedo de Silas — se dedo de Silas houve — notou-se da forma mais subtil. Não num empenho palpável à luz do dia, muito menos na diversidade de soluções, mas na mais fina filigrana de solidez da qual escorreu a gotícula de felicidade que nos permitiu manter a baliza inviolada pela primeira vez em 23 anos. E não é que o Sporting não tenha tentado ser fiel à tradição. Ao ser passivo nas bolas paradas, ao ser indolente na recuperação, ao ser pouco criterioso nos espaços que escolhe para perder o esférico. Contámos com a boa fortuna dos postes, é verdade. Mas eu gosto de pensar que, algures na subjectividade penta-dimensional do futebol, estava escondido o grãozinho de premeditação que nos permitiu levar os 3 pontos. O que fica claro é que esta equipa não tem golo — jamais poderia ter golo. Vive dos pontapés de Fernandes, e quando estes não aparecem o nosso futebol parece não ter outra finalidade senão esperar pela morte. Não creio estar enganado se disser que, ontem, o primeiro remate no interior da área do Aves apenas surgiu na 2ª parte, já depois da entrada de Luiz Phellype.

Mais do que jogar bom futebol, o que importava era ganhar. E, por vezes, ganhar no meio do caos pode dar o impulso de que a equipa precisa para encarar os próximos desafios.

P.S.: De repente, ofendem-se as comadres. Tudo por causa do curso de treinador de Silas. O mundo está cheio de medíocres com o canudo debaixo do braço. Eu, no lugar de José Pereira, estaria mais preocupado com os muitos treinadores "habilitados" que não demonstram ter sequer aptidões para orientar um churrasco de Domingo, quanto mais equipas de futebol. No Belenenses, Silas fez o que muitos outros não conseguiram fazer: dar-lhe estabilidade no meio do caos. Não é um currículo genial, mas é, por si só, a prova 'ad hoc' de que pode desempenhar o cargo. Comparar a profissão de treinador de futebol com a profissão de médico só vem demonstrar o desnorte de quem o faz. Quando um cirurgião falha uma artéria alguém morre. Quando Wendel falha a baliza, na pior das hipóteses, há uma porta que estremece algures. Não obstante, perante um quadro de fiscalização em constante evolução, mais uma vez fica exposto o risco que Frederico Varandas assumiu com esta opção. No Belém, ninguém pareceu preocupar-se com o nível IV de Silas. No Sporting, como já percebemos, tudo ganha outra dimensão.

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