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O Esférico

Página independente de apoio ao Sporting Clube de Portugal. Opinião * Sátira * Análise * Acima do Sporting Mais Sporting

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16
Dez19

Devolvam a Curva Sul aos Sócios!

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Quem tem seguido com atenção o julgamento do ataque à Academia não ficou decerto indiferente aos testemunhos dos jogadores na semana passada, onde foram descritos com minúcia granular os actos bárbaros de que foram alvo, assim como as sequelas psicológicas que ainda perduram. Se tais palavras resultaram nalguma alteração da percepção pública dos ataques, foi apenas no sentido de dar cor a um filme que, nalguns sítios, ainda se pintava de preto e branco. Não há acto redentor que possa salvar o lixo que hoje se encontra em julgamento.

Ontem, um conjunto de energúmenos de cara tapada recebeu a equipa nos Açores com o arrepiante cântico "Alcochete sempre, Alcochete sempre!" Tal canalhice não pode deixar de causar arrepios a qualquer cidadão decente, pois evoca, além do pior que o ser humano esconde em si, a impotência do Estado perante marginais que impõem aos outros uma tripla "sharia" de ameaças, coacção e paulada. Anúncios nunca faltam. Mas, em termos práticos, o que fez a tutela para estancar esta epidemia de violência? Nada. O problema só piorou. E, ante a evidência de estarmos perante autênticas máfias organizadas, atentatórias aos direitos de todos nós, a estratégia de desresponsabilização tem passado por individualizar o caso como um problema do Sporting — como se não houvesse uma hemorragia de violência nos campos de norte a sul deste país, como se não tivesse já morrido gente. Pois o que está aqui em causa é a subsistência de uma "elite" de cabecilhas que em tudo se move como um narco-estado — e que para isso conta com a colaboração de "soldados rasos", como os de ontem, os quais, em troca do trabalho sujo, se contentam com as sobras dos outros, naquilo que é, de facto, uma dinâmica de gang.

Em tribunal as coisas ficaram claras. "Tenho muito medo de que volte a acontecer", confessou Wendel. "Ainda hoje, quando jogamos, sinto ansiedade que caso as coisas não corram bem possa acontecer novamente", afirmou Bruno Fernandes. "De cada vez que o Sporting perde, fico com medo que a situação se repita", reforçou Ristovski. E de Mathieu sobrou esta ideia: "ainda hoje no final dos jogos me lembro deste episódio muito forte".

O que aconteceu ontem é uma coacção descarada à liberdade dos atletas, e uma inconcebível apologia da selvajaria. Em que estado mental terão ficado os jogadores, sabendo que poderão voltar a Lisboa para novas sessões de porrada? Mas há aqui uma motivação ainda mais tenebrosa: há gente que está, deliberadamente, a tentar acabar com o clube. Para eles, cada derrota é "dinheiro em caixa". Qualquer empresário que valha um vintém olha para isto e veta qualquer contratação — ou inflaciona os preços para níveis suicidários. Qualquer adepto normal vê isto e pensa duas vezes antes de meter os pés num estádio. Por isso, tratemos isto como aquilo que efectivamente é: uma luta pela nossa sobrevivência. Eis algumas medidas que a direcção poderia tomar:

1) Algo foi feito, mas é preciso mais. Hoje em dia há tecnologias de vídeo e reconhecimento facial que facilmente colam uma cara a um registo ou cartão de sócio. A 'entourage' das equipas desportivas do Sporting tem que estar preparada para isso, nesta altura de grandes perigos. Gritos como o de ontem são claramente motivo de banimento vitalício de toda e qualquer actividade relacionada com o clube. São um crime público, também, de incitamento à violência. Na Inglaterra, são os próprios clubes que identificam os infractores nas suas fileiras e os expulsam dos estádios. Porque não acontece isso por cá?

2) Devolvam a curva sul aos sócios! Devolvam-na às famílias, aos avós, aos netos, aos amigos. Com preços e pacotes especiais, simbolicamente, se preciso for. Vedem a venda de lugares para membros identificados de claques. Arranquem as urtigas e plantem no seu lugar uma nova e frondosa árvore de amizade e clubismo são.

3) Assumam o carácter ideológico desta batalha. Assumam uma posição clara contra as claques — quaisquer claques. Porque é a cultura de fanatismo paramilitar fomentada por aquelas que, no fundo, estamos a discutir. Estarmos, com pinças, a esmiuçar que esta é má, aquela é mais ou menos, e a outra é boazinha, apenas serve para deixar a porta entreaberta aos infractores. Acabem-se com as claques — ou crie-se uma claque oficial do clube que elimine todas as outras; uma claque única, sujeita ao escrutínio e braço disciplinar do SCP. Desde logo, não-sócios e cadastrados não poderiam integrar essa claque. O saneamento passa por regras de acessão (e participação) rígidas. Uma coisa é certa: as claques não podem auto-regular-se. Esta é a oportunidade duma vida. Impulsionemos o Sporting para o século XXI!

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