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O Esférico

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09
Dez19

A Dois Tempos // Sporting 1 Moreirense 0

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Quando Bolasie introduziu a bola na baliza do Moreirense aos 11', a alegria libertada parecia corporizar o corolário natural dum jogo que começara firmemente assente numa lógica de posse, domínio, audácia e organização. Era também o selar simbólico de algo maior, o anel matrimonial colocado no dedo desta relação de interesse entre o congolês e os sportinguistas, que vêem nele, na época de todos os perigos, um exemplo de profissionalismo e paixão pelo jogo, isto por oposição, precisamente, à ausência desses mesmos predicados em alguns outros jogadores ontem em campo.

No fio da navalha é como muitas vezes o Sporting se encontra. E, nesta era de precisões tecnológicas e cegueiras selectivas, foram 14cm aquilo que o VAR descortinou sobre a ilegalidade do golo. Tivesse Borja sido mais astuto e iniciado a jogada cruzando primeiro as pernas do adversário em vez da bola e nada disto teria acontecido, tal como decreta a nova bitola estabelecida no Boavista-Benfica.

O certo é que a partir daí o Sporting entrou numa espécie de falência de órgãos invisível à vista. O jogo tornou-se desligado, consequência de um divórcio entre a mente e o corpo, as ideias e as pernas, a vontade e a objectividade. A depressão pós-VAR instalou-se na equipa e voltámos a ver laivos de irregularidade a pintarem o relvado, intercalando momentos de apatia com jogadas de perigo — estas mais por incapacidade do adversário do que por virtuosismo colectivo. Não foi por falta de treino, decerto, mas porque a míngua de soluções obriga a que se depositem as esperanças em elementos deficitários, como foram os casos de Jesé (um remate de perigo e nada mais), Vietto (em decréscimo de há 3 jogos a esta parte), ou Wendel, que nos dias que correm mostra menos alegria no seu futebol do que uma viúva num velório. E o elemento geralmente aglutinador do baralho — Bruno Fernandes — foi ontem carta fora dele.

Num cenário normal, o Sporting fez mais do que o suficiente para marcar 3 ou 4 golos. Mas numa conta de dividir os lucros mal dão para as despesas, e isto só mesmo depois de o único ponta-de-lança do plantel aparecer para oferecer a sobremesa. Bolasie, o próprio, viria a protagonizar mais uma tripleta de lances de perigo, assim como um par de assistências perigosas que não deram em golo. Por causa disso, foi, a par de Mathieu e Maximiano, o melhor em campo. Mas foi só quando Silas — mestre das mil tácticas — discerniu o óbvio que as coisas mudaram. A cada oportunidade, Luiz Phellype demonstra que, não sendo um primor, é a solução mais lógica para uma equação complicada. Assim, ainda se foi a tempo de emendar aquilo que parecia destinado a ser uma correria inglória para o empate, num jogo em que o Sporting foi superior, mostrou bom futebol a espaços, mas em que lhe faltou qualidade nas decisões. Depois de testar contra o Gil Vicente um inovador sistema de 4-4-20 losangos, com mais ângulos do que faces, Silas derivou ontem para um sistema com (quase) mais pinos do que galgos. E no meio da nem sempre lúcida sofreguidão, apenas as saídas de Vietto e Jesé permitiram que as contas pendessem definitivamente a favor da vitória.

P.S.: Logo numa altura em que Neto se afirmava como uma alternativa valiosa, lesionou-se com gravidade, mercê dum lance macabro em que tudo fez para liderar pelo exemplo e pela garra. Rápidas melhoras, pois de um Neto destes muito estamos necessitados.

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